| REFERÊNCIA EM RADIOLOGIA INTERVENCIONISTA |

Menu

TRATAMENTO ENDOVASCULAR DE ANEURISMA DA ARTÉRIA POPLÍTEA
Maio 2019


      Paciente 72 anos apresentando dor em membro inferior esquerdo sendo flagrado dilatação aneurismática medindo 3,35 cm em artéria poplítea esquerda. Coronariopata e passado de infarto agudo do miocárdio, bem como implante de endoprótese  de aorta abdominal infra-renal há cerca de 10 anos e pancreatectomia corpo-caudal há 1 ano por neoplasia do pâncreas. Sem sinais de atividade do câncer. Atualmente em acompanhamento de um aneurisma de aorta toracoabdominal. O paciente apresenta ainda insuficiência renal crônica não-dialítica.

       Optado por tratamento por técnica endovascular com auxílio de sistema de ultrassonografia intravascular (IVUS – VOLCANO), angiografia com uso de dióxido de carbono como substituto ao contraste iodado e implante de stent revestido (GORE® VIABAHN® Endoprosthesis).

      Os aneurismas de artéria poplítea correspondem a 70% dos aneurismas periféricos. Esse e suas complicações tem o potencial risco de ameaçar os membros e a vida. A reparação é defendida quando os sintomas se manifestam (compressão, embolização, isquemia ou ruptura), bem como para doença assintomática maior que 2 cm.

      O limiar para tratamento em pacientes assintomáticos varia entre os centros e deve ser equilibrada com o estado clínico geral do paciente e a adequação para intervenção. O reparo, sob a forma de bypass, é considerado o procedimento padrão ouro. O reparo endovascular do PAA (EVPAR) é uma terapia alternativa descrita pela primeira vez em 1994. Em comparação com dispositivos anteriores a endoprótese Viabahn  proporciona maior flexibilidade, melhorando potencialmente a durabilidade, apesar da flexão e extensão do joelho.

      Estudo de revisão com um total de 5.166 procedimentos cirúrgicos foram comparados, sendo 3.930 cirurgias abertas e 1.236 cirurgias endovasculares. A cirurgia aberta com bypass venoso continou sendo o padrão-ouro.

      A cirurgia endovascular apresenta menor tempo de internação e é uma opção viável em pacientes eletivos, com baixa expectativa de vida, alto risco cirúrgico, comorbidades e mais idosos, desde que tenham anatomia favorável para o procedimento.

      A taxa de patência primária combinada para o reparo endovascular do aneurisma de poplítea usando stent Viabahn foi de 95,0% aos 30 dias, 85,3% aos 12 meses e 69,4% aos 5 anos. Pesquisas futuras devem se concentrar no refinamento dos critérios de seleção e na identificação dos subgrupos de pacientes para eleição do tipo de tratamento.

      O tratamento endovascular apresenta desafios únicos em comparação com o reparo cirúrgico, os quais oferecem visualização direta da vasculatura, enquanto o reparo endovascular tradicionalmente utiliza angiografia para orientação na implantação do stent. O reparo endovascular dos aneurismas da artéria poplítea utilizando apenas a orientação angiográfica está sujeito a limitações inerentes significativas. Aneurismas da artéria poplítea geralmente apresentam trombo mural significativo e a angiografia com contraste produz apenas um “lumenograma”, segundo o qual o verdadeiro tamanho e extensão do aneurisma (carga de trombo + lúmen patente) normalmente não pode ser adequadamente avaliada. A fim de tratar adequadamente um aneurisma poplíteo com endoprótese endovascular, o diâmetro correto do enxerto deve ser escolhido para ser implantado nas zonas de ancoragem proximais e distais, locais onde não há aneurisma ou trombo. O tamanho incorreto do stent ou local de implantação resultam em aumento do risco de trombose da endoprótese, endoleak ou migração do stent.

      O uso do IVUS durante o tratamento endovascular permite ao médico avaliar totalmente a anatomia do vaso, incluindo a localização e a extensão da carga do trombo, o diâmetro e localização da zonas de ancoragem adequada do aneurisma proximal e distal. Uma vantagem adicional é que essas informações podem ser obtidas sem administração de contraste ou exposição adicional à radiação.

      Confiando apenas na angiografia para o desempenho desses procedimentos, no entanto, está associada a limitações inerentes que podem resultar em dimensionamento inadequado de stents e falha geográfica. A presença de trombo pode levar à subestimação grosseira do tamanho do aneurisma e comprimento pela angiografia. Se  essa for utilizada de forma isolada, a endoprótese pode ser implantada proximalmente ou distalmente dentro do trombo mural em vez de dentro de uma porção não aneurismática apropriada do vaso.

      O IVUS é uma modalidade de imagem prontamente acessível que delineia claramente a sobrecarga do trombo e camadas médias/adventícias do vaso. Além disso, as imagens do IVUS pós-procedimento também verificam expansão adequada do stent e posicionamento geográfico adequado.

BIBLIOGRAFIA:

  1. Serrano Hernando FJ, Martínez López I, Hernández Mateo MM, Hernando Rydings M, Sánchez Hervás L, Rial Horcajo R, Moñux Ducajú G, Martín Conejero A. J Vasc Surg. 2015 Mar;61(3):655-61. doi: 10.1016/j.jvs.2014.10.007. Epub 2014 Dec 9.
  2. Patel SR, Hughes CO, Jones KG, Holt PJ, Thompson MM, Hinchliffe RJ, Karthikesalingam A.

J Endovasc Ther. 2015 Jun;22(3):330-7. doi: 10.1177/1526602815579252. Epub 2015 Apr 10.

  • Raney AR, Stinis CT.Catheter Cardiovasc Interv. 2015 Sep;86(3):476-9. doi: 10.1002/ccd.25893. Epub 2015 Feb 25.

Para visualizar outros artigos e notícias, clique aqui.