| REFERÊNCIA EM RADIOLOGIA INTERVENCIONISTA |

Menu

Tratamento Endovascular de Aneurisma de Aorta Abdominal com Colo Hostil
Maio 2019


Paciente durante investigação de câncer de pulmão, foi descoberto incidentalmente aneurisma de aorta abdominal justarrenal de cerca 7,7 cm di diâmetro. Uma tecnologia emergente no tratamento desses aneurismas é o uso de endopróteses com ramificações e fenestrações para as artérias viscerais, sendo optado para este caso o uso de uma endoprótese customizada fenestrada Cook com três fenestras e um scallop para o tronco celíaco.

O tratamento endovascular do aneurisma de aorta abdominal (EVAR) ganhou reconhecimento nas últimas 3 décadas, mas estima-se que cerca de 40% dos pacientes não são candidatos para EVAR tradicional, principalmente devido ao colo proximal desfavorável.

Assim, na última década, técnicas mais criativas foram sendo desenvolvidas para superar os desafios dos colos proximais hostis. Dentre elas, se destacam parallel graft (chaminés, snorkel, sanduíche), cirurgias híbridas e uso de endoâncoras. No entanto, foram os dispositivos endovasculares fenestrados/ramificados que se tornaram a melhor alternativa para o tratamento do aneurisma de aorta abdominal justa/pararrenal ou paravisceral, levando a resultados mais duradouros. Os paciente indicados para FEVAR são aqueles que possuem colo hostil, nos aneurismas justa/pararrenal e paravisceral.

Os reparos com esses grafts exigem programação pré-operatória específica e customização pelo fabricante.  Angiotomografias com cortes finos (<1.5mm) devem ser realizadas e todas as medidas realizadas de acordo com a anatomia de cada paciente. As referências são feitas a partir de um vaso que é nomeado como ponto zero (geralmente mesentérica superior ou tronco celíaco) e também a orientação de cada vaso de acordo com as horas do relógio.

Durante o procedimento, os cateterismos para cada fenestra e seu vaso correspondente podem se realizados via membro superior ou femoral, a depender da orientação de cada vaso específico. Após os cateterismos, é implantado stent-graft em cada fenestra, para que o selamento ocorra e, desta forma, o aneurisma fique excluído.

O The United States  Zenith Fenestrated trial estabeleceu  a segurança e eficácia deste dispositivo. 60% dos pacientes foram implantado endopróteses com 2 small fenestration e um scallop. O sucesso técnico foi de 100% e apenas paciente com mortalidade precoce devido isquemia mesentérica. Schanzer e cols perfomaram 100 casos complexos em que o resultado em uma ano foi de 100% livre de ruptura de aorta. Oderich e cols apresentaram série de 112 casos com sucesso técnico de 94%, mortalidade 1,2% e patência primária de 93%.

Portanto, o FEVAR permite o tratamento a longo prazo dos paciente com aneurisma Justa/pararrenal usando aorta visceral como zona de selamento. Sabendo-se que para realização deste tipo de intervenção o tempo cirúrgico, os riscos operatórios são maiores, além de ser importante equipe bem treinada para fazer este complexo planejamento do implante da endoprótese.

BIBLIOGRAFIA:

  • Constatino S. Pena e cols., Tech Vasc Interv Radiol. 2018 Sep;21(3):156-164. doi: 10.1053/j.tvir.2018.06.005
  • Schanzer A. e cols., J Vasc Surg. 2017 Sep;66(3):687-694. doi: 10.1016/j.jvs.2016.12.111
  • Oderich GS e cols, J Thorac Cardiovasc Surg. 2017 Feb;153(2):S32-S41.e7. doi: 10.1016/j.jtcvs.2016.10.008

Para visualizar outros artigos e notícias, clique aqui.